sexta-feira, 11 de abril de 2008

Capito?

Sigo meu périplo em Salvador. Estamos bem longe de casa (eu e meu compadre Gustavo), quando ele resolve pegar um táxi, idéia que me deixa deveras preocupado, em cidades que desconheço a geografia e manhas.

Um camarada de cara boa nos recebe. Lá pelas tantas, Gustavo pergunta se ele, o taxista, sabe de uma casa para 15 pessoas, para passar uma semana em Salvador, nos idos de maio.

A simples pergunta tira nosso piloto do eixo. Ele pega o celular, liga para alguem, esquecendo completamente de que está no caótico trânsito da capital. O cara do outro lado antende, nosso amigo dá um berro:

"Liga pra mim, que estou sem crédito!"

Segundos depois, liga alguém. É seu amigo Paolo, dono de uma pousada em Salvador. Sinais vermelhos, velhinhas atravessando as ruas, faixas de pedestre são esquecidos. Antes que alguém morra, o telefone é passado para Gustavo, que acerta inicialmente algo por R$ 30,00. Adolfo, o taxista, diz que a pousada é maravilhosa, dá para ver a Baia de Todos os Santos, essas coisas.

Daqui a pouco, o telefone de Adolfo toca. Estou com dupla sorte. Gustavo vai pagar o táxi, e o taxista é o personagem do dia.

"Capito!", diz, falando bem alto.

Silêncio.

"Va bene. Espeto tu lá no aeroporto".

Silêncio.

"Capito! Ma tu número es confidencial, capito?"

Silêncio.

"Capito. Mañana espeto tu lá no aeroporto, a las três de la tarde".

Depois de mais uns três capito, barbeiragens de todo tipo. Adolfo desliga o telefone.

"Esse italiano está é bêbado. É a terceira vez que me liga".

"E tu aprendesse a falar italiano fluente onde?", pergunto.

"Por ai, levando a turistada. Aqui em Salvador, o que não falta é italiano. Também pudera. Tem sol, comida é farta, mulher bonita, todo dia tem festa..."

Faço a pergunta básica de qualquer aproximação entre homens do planeta.

"O amigo torce por qual time?"

"Pelo Bahêa, claro", responde, estufando peito.

O time dele enfrenta os mesmos problemas existenciais que o meu. Uma série de gestões desastradas, que levaram os respectivos times ao fundo do poço. A diferença é que aqui, o presidente é o mesmo, há muitos anos.

"E aqueles desgraçados que estavam na diretoria, já saíram?"

"É difícil, mas aquele Paulo Maracajá um dia morre. O ACM não morreu? Um dia ele morre, e o time volta a ser da torcida."

Súbito, uma mulher faz uma puta barbeirada.

"Parece que é sergipana!", esbraveja nosso taxista.

Ele olha para os lados e pergunta se algum de nós é sergipano.

"Sou de Aracaju, amigo, mas não tem problema. Lá, quando alguém faz uma merda no trânsito, dizemos que a pessoa fez uma baianada".

Nós damos umas boas gargalhadas.

"Não fumei nada hoje", diz Gustavo, se referindo ao seu inconfundível cachimbo.

O taxista pega o mote e emenda, de primeira.

"Olhe, tenho um fininho aqui, um fininho de presídio, mas dá para o gasto".

Puxa um baseado de algum lugar secreto.

"Faz parte do pacote?", pergunto.

"Não, não", responde agoniado, temendo perder metade do baseado com aquelas duas figuras esquisitas.

"Ainda bem que vocês me lembraram. Vou fumar esse daqui a pouco, antes de pegar um cliente chato pra caralho".

Estamos chegando ao nosso destino.

"O cara é muito chato, e para suportar aquele chatice, só fumando um baseado".

Descemos, Gustavo paga a conta e vamos caminhando, para tomar uma cerveja na Ondina, ou Pituba, ou Rio Vermelho.

A vida segue.

6 comentários:

Fabi disse...

adorei, adorei, adorei!

Anônimo disse...

Fechando o ciclo do mês de abril, nossa temporada de Verão na Varanda do Teatro SESI- Jequitibar, está chegando ao fim. Até o final deste mês estaremos recebendo convidados muito especiais. Sábado dia 12, o grupo Cama de Voz, com seus arranjos vocais belíssimos, estarão dando uma canja conosco.

Apareça!


O QUE? Show Juliana Ribeiro convida Cama de Voz

QUANDO?Sábado, 12 de abril

ONDE? Café Teatro SESI- Jequitibar- Rio Vermelho

QUE HORAS MESMO? 19hs

COUVERT?R$ 7,00

CONTATO? 33344698

Vale a pena!

Yvette

Danielle disse...

Sama, larga essa baianada e 'vem timbora' que quinta tem festa...1 ano da quinta-santa!!!

Dani_tricolor

Gênero Cinematográfico disse...

...a vida segue.
Quando volta?
bjs

Julio Vila Nova disse...

Samarone, tem uns burro-negros por aqui dizendo que tu fosse pra Salvador porque tava com saudade do extintor de incêndio. Que onda é essa ? hahahaah!
Ah, o relato tá muito bom.

Fazer Cinema - blog de cinema disse...

eita que a viajem tem de tudo
é cada tipo que agente vê pelo recife
sou amiga tua não, mas uma leitora que ama o Blog e teus textos
abs
lidianne