terça-feira, 18 de julho de 2006

Notícias fundamentais para o bem viver

Acabo de ler no JC Econômico, do Jornal do Commercio uma pequena nota, falando o seguinte:

"O IPA está lançando a cebola Brisa A-12, desenvolvida pelo pesquisador Jonas Araújo, que além de maior resistência às pragas e produtividade, tem menor pulgência, ou seja: não arde nos olhos quando manipulada na cozinha".

Sinceramente, seu Jonas Araújo, pela mãe do guarda, tenha piedade. Eu acho que a tal Brisa A-12 vai retirar da cozinha justamente um componente dramático, vai tirar a pulgência, que são as lágrimas de quem corta cebola. Depois da tal Brisa, não poderemos cantar "Teu amor é cebola cortada, meu bem/que logo me faz chorar", sucesso dos anos 70 na voz do Raimundo Fagner.

O que será da criatura que tem vergonha ou dificuldade de chorar, que se agarra às cebolas para soltar seu pranto, disfarçando de toda a família uma tremenda dor de cotovelo? Não, meu amigo, por Deus, faça a pesquisa para que a nossa boa cebola resista bem às pragas, inclusive às pragas do Egito, faça com que ela seja produtiva e rentável, mas vai meu apelo inútil: não retire a pulgência das cebolas, para que as pessoas possam chorar em paz e sem remorso!

No mesmo jornal, na mesma coluna, sou informado que, pelas contas da Celpe, a Companhia de Eletricidade de Pernambuco, são desviados, anualmente, R$ 154 milhões. É o famoso macaco comendo no centro, a turma fazendo gambiarra para não gastar todo o salário só com a conta de luz, puxando do poste um arremedozinho de luz, ou confiscando, na calada da noite, uns megawats do contador mesmo, para não cair duro com a chegada da conta.

"Não é nada, mas seria suficiente para iluminar Recife por cinco meses, ou Pernambuco por 45 dias", informa a coluna.

Primeiro, acho que a empresa nem deveria ser chamada mais de Companhia de Eletricidade de Pernambuco (Celpe), porque há muito tempo deixou de ser pernambucana, e é do Grupo Neoenergia, que por sinal eu detesto. Se eu conhecer um sujeito, e ele disser que é do Grupo Neoenergia, eu fecho a cara e começo a falar sobre a importância do desvio de energia. Depois, ela, a dita empresa, pode ter o lucro que tiver, mas não ilumina o Recife nem uma noite de graça, quanto mais cinco meses. Diria que são incapazes de iluminar um reles, um magricela de um poste, defronte a um orfanato. Terceiro, o que essa companhia está massacrando o povo, não é brincadeira.

Eu, que sou um atrasador crônico de contas de luz, água, telefone e outras faturas, tenho visto as filas e filas de gente parcelando as contas nas lojas da Celpe, com juros em cima de juros, com choro e ranger de dentes. Os desgraçados não avisam que vão cortar a luz, e só religam se você estiver em casa. Além disso, tratam a gente aos pontapés.

Antes, quando a velha Celpe era nossa, ainda mandavam aviso, o prazo era maior, havia a mínima cordialidade com o sofrimento alheio. Agora, são 45 dias e zapt! – o sujeito fica à luz de velas. Da última vez que fui parcelar duas contas atrasadas, a mulher, por sinal chatíssima, me disse que eles estão dificultando o parcelamento dos atrasados. Por que?, perguntei eu, "porque o povo não está conseguindo pagar", respondeu ela, quase assoviando la vie en rose. Não é à toa que o ilustre Vital, aqui do Poço, chama a conta de luz de "a infame".

Daqui do meu cantinho, eu olho para os R$ 154 milhões desviados e repito o que diz o velho bloco de Carnaval: eu acho é pouco.

Sou informado também que o brasileiro toma, em média, 3 litros e meio de sorvete por cabeça, creio que durante um ano. Nos países nórdicos, a média é de 20 litros/cabeça. Aqui vai uma confissão: alguém está tomando sorvete por mim. Não sei o que há, sou um sujeito muito esquecido, muitíssimo distraído, lembrei agora que me lembro muito pouco de tomar sorvete.

Não sei o que há, mas passo direto, não reparo nas sorveterias, e nunca me lembro de botar um pote daqueles da Kibom no carrinho do supermercado. Creio que minha média tem sido, com um certo exagero, meio litro por ano (e dependendo do ano). Ano passado, mesmo, acho que fiquei por ali, na faixa dos três casquinhos de duas bolas, sempre doce de leite e algo com passas, porque sou um sujeito que adora passas no sorvete, uma herança de infância.

Na verdade, fiquei pensando: esses nórdicos tomam sorvete pra chuchu, né? Se eu fosse diretor da Maguary Kibom, eu convocava o alto comando e fazia a sugestão: vamos invadir os países nórdicos, porque a negada lá toma um sorvete empurrado!

Vou aos Classificados (de hoje mesmo) reparar em alguma coisa diferente, para a crônica de hoje. Tem lá, no setor de "acompanhantes", o anúncio da senhora Dayanna Diaz, aliás, perdão, um senhor. "Travesti loira bela feminina lábios carnudos, turbinada beijo grego com local". Depois tem os telefones, que vou declinar. Pois bem, me vem uma pergunta existencial: o que diabos vem a ser um "beijo grego com local"?

Por último, aviso aos meus poucos mas insistentes leitores sobre uma oportunidade incrível. O sujeito está vendendo um Trator MF-275, ano 96, com 4 emplementos + 1000 horas garantia total + frete incluso. R$ 4.500.00 + 24 X R$ 1.020.00 fixas ou à vista R$ 18 mil. Apesar de não saber o que são os tais "4 emplementos", nem como ele vai contabilizar as 1000 horas de garantia, acho que é aquele negócio de ocasião, o famoso pegar ou largar.

Já pensou, o cara chegar no trabalho, amanhã, num tremento MF-275? Se eu tivesse um bicho desse, levava meus amigos tudinho de trator para o Arruda, no domingo, para o massacre do Santinha no Flamengo. Mas, como diz o velho ditado popular, quem não tem trator, vai de Kombi, é o meu caso.

E la nave va.

12 comentários:

Gerrá disse...

samarone, tô aqui as 23h57 imaginando(e rindo) a gente chegando num trator domingo no arruda, dirigido por naná, tu pendurado com um bandeirão na frente, valadares e rita pendurados atrás e nós tocando forró dentro do trator. ah! joão e manu, cheios de pau, correndo atrás.
tá muita onda...

jamille disse...

Eita Maguary Kibom é das antigas visse! Bons tempos!

cometaurbano disse...

Sama,

maguary kibon foi massa. Tu já não tá tão jovem como eu pensava. Um dos problema advindos da entrada das grandes empresas de capital internacional no nosso páis é que moldam os trabalhadores para afinarem o mesmo discurso que os da próptri empresa.Os funcionáriso são incapazes de esboçar qualquer gesto de cordialidade com os consumidores. Definitivamente, não dá!

cometaurbano disse...

Sama,

a partir da próxima semana começa aqui em BH o Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de BH. Exporta alguns amigos daí para curtirem uns dias em BH nesta temporada. Te espero tb. PH

samarone disse...

Não entendi o estranhamento. Não é Maguary Kibon mais não? Tiraram o Maguary, foi?
abraços,
sama

Pedro disse...

samarone, essa do trator foi a melhor. imagina se tu tivesse de trator, e não de fusca, quando tu acertou aquele famoso Honda Civic na 17 de agosto, nossa, o cara ia virar fertilizante

Anônimo disse...

Sama,

Maguary kibom e boa..
me lembrei de qdo cheguei em Recife depois de um tempo fora e fui perguntar da maguary kibom...nossa a galera tirou a onda ...dai fico a pensar e o que e agora ?
um beijo ,paty

Juli Vila Nova disse...

Samarone, acho que Chico Buarque também não ia gostar nada dessa onda de tirar a pulgência da cebola, porque o famoso verso da canção Cotidiano ("Lágrimas nos olhos de cortar cebola, você é tão bonita") não seria mais entendido direito pelas novas gerações, os filhos da pós-pulgência.

Anônimo disse...

oi, Samarone!
Tenho saudades do tempo de "Maguary"!
Bom final de semana!
abraco grande,
Claudia

Daniela Carvalho disse...

Samarone,

Se não me falhe a memória, a Maguary Kibon agora é Kibon Sorvane. Bons tempos aqueles, me lembro das visitas que o colégio onde eu estudava fazia a fábrica da Maguary, a gente tomava tanto sorvete, era tão bom!!

betita disse...

coisa boa te ler e te ver. chêro!

Coronel Peçonha disse...

Samarone:

Não se preocupe. Nós jamais ficaremos sem a PULGÊNCIA porque a CELPE ainda existe e é garantia de muitas lágrimas.

Basta a pessoa que precise explicar lágrimas dizer que teve um problema com a Celpe e... pronto. Chora até quem escutou a estória.

Fora a cebola, viva a Celpe.

A "mania" da companhia de eletricidade é aplicar uma multa astronômica (no mínimo 3.000 reais), você recorrer, ela reduzir para 200 ou 300 reais, você ficar satisfeito e virar um feliz consumidor "tungado" (expressão de Elio Gaspari).

Vamos de trator ao Arruda - amassar o time do flamerda.

O Santa Cruz é minha pátria.