quinta-feira, 23 de março de 2006

Minha briga com o IG e as lorotas de sempre

Até outro dia, eu vinha usando o IG para ver meus email, olhar as notícias na Internet, enfim. Mas o tal do IG tem uma mania feia de mandar informes quase diários, que enchem a paciência, pelo menos a minha, que detesto receber porcaria para ler. Pior: mandam coisas no meu nome, com uma falsa intimidade que detesto. “Samarone, mude para melhor!”, disse o primeiro email, e fiquei olhando atravessado, dizendo ôx!

Por que mudar para melhor, se o melhor deles pode ser bem diferente do meu? Foi então que descobri meu gosto de filosofia. Passei o dia lendo os socráticos, pré-socráticos e existencialistas, analisei profundamente os conceitos do bom e do melhor, e não cheguei a conclusão nenhuma.

Depois veio a ofensa: “Samarone, cadastre seu currículo gratuitamente!”.

Das duas uma, e não sei qual a pior: 1) o IG acha que estou desempregado, na pior, na pindaíba mesmo, nem lugar para currículo tenho para mandar, é o fim da linha, aos 36 anos, já com as chuteiras penduras, já rendeu o que tinha para render, coitado ; 2) O IG quer me arranjar um emprego, quando acho isso uma coisa muito fora de moda, neste início de milênio. Vou sobrevivendo com meus bicos jornalísticos e informo que zerei todos os débitos, semana passada, graças ao Dia Internacional da Mulher (Carol, valeu pelo frila), paguei até seu Vital, que tinha me emprestado duzentinho, na hora do aperto.

Achando pouco, o IG mandou um informativo com a seguinte manchete:

“Filha de Jacky Ickx vai correr no DMT!”.

Amigos leitores, eu sou relativamente bem informado, mas não sei, não imagino, não vislumbro sequer o rosto da tal Jacky (o segundo nome não sei pronunciar, e duvido que algum leitor deste Blog saiba), imagine a filha dela! A única conclusão que cheguei foi a seguinte: o IG acha que sou muito burro e seleciona lixo para eu ler. Agradeço se alguém me explicar o que é esse tal DMT, creio que é Depressa Mata Tudo, mas em inglês deve ser diferente, algo do tipo Down Man Trash, que eu não imagino o que vem a ser, porque gosto mesmo é da língua espanhola, especialmente os poemas do Juan Gelman.

O IG sempre se renova. Outro dia me mandou a pergunta: “Samarone, qual a sua religião?”

Além de ser uma coisa muito íntima, pessoal, confesso que não sei me situar no plano religioso. Em São Paulo, tive um guia espiritual, que era um pai-de-santo, coisa que não encontrei ainda no Recife, e que vai ser tema da próxima crônica. Era um negão forte e sorridente, que me atendia uma vez por mês, botava búzios, abria meus caminhos e dizia o que estava se passando comigo como se estivesse lendo meus diários. Êpa baba! Foi lá que descobri minhas aproximações com Oxalá, e é por isso que gosto tanto de roupa branca. Adoro os espíritas e acho uma igreja católica vazia, aquele silêncio contemplativo, a coisa mais religiosa do mundo. Além disso, geralmente ando com o terço que foi da minha avó Zeneuda, e vai aqui uma confissão, mas que minha família não saiba: já rezei algumas vezes o terço, quando o Santinha estava perdendo, e funcionou. A família haverá de perdoar, porque foram jogos decisivos: a decisão do Estadual, este ano, e o jogo contra a Portuguesa, quando viramos e subimos para a Série A, dois gols de Reinaldo, quando eu terminava o terceiro mistério. Ultimamente estou querendo ler o Alcoorão, para entender mais aquela confusão toda no Oriente Médio, e acho aquela saudação a Meca, todo entardecer, uma cena bonita.

Tem um nome para o povo ou a pessoa que tem várias religiões, e todas se harmonizam por dentro e por fora, mas esqueci agora como é o nome estou com preguiça de ir ao Aurélio, o pai dos burros, então sou um burro preguiçoso, graças a Deus, Oxalá, Chico Xavier e Maomé e Buda, os deuses maias, astecas e todos os outros que não lembro agora.

Acharam pouco? O IG me manda um informativo perguntando: “Samarone, qual o seu perfil?”

Como assim, por exemplo? Perfil psicológico? Terei que invocar minha amiga Emília Miranda, para escrever sobre minhas manhas e manias. Perfil futebolístico? Ficará dividida em duas partes: 1) Meu amigo Inácio França escreverá sobre a parte dos jogos do Santa Cruz, nos estádios e botecos, bem como o dia do Tetra, em São Paulo, quando quebrei o espelho de sua casa imitando o Senna; 2) Dinho Papeira falará sobre minha atuação na zaga dos “Caducos”, nos domingos pela manhã, aqui no Poço.

Não, pensando bem, nada desse negócio de perfil. O IG que vá amolar outro sujeito. Emília está viajando muito para cuidar das crianças no Sertão, Inácio está cuidando das crianças dele, que são duas, e das crianças do Unicef, que são muitas, e Dinho Papeira está de férias, perambulando aqui no Poço com uma eterna gaiola na mão, o homem é louco por passarinho, quase foi pego pelo Ibama, outro dia.

Eu já estava sem paciência, quando chegou a mensagem: “Samarone, assine Veja + 1 revista e pague só em 7/04!” (Toda mensagem vem com exclamação, como se fosse coisa importante).

Foi a gota d’água, deixei o IG de lado. Não bastasse a intromissão diária na minha vida, ainda quer me empurrar lixo, goela abaixo.


ps. Há seis anos, só leio Veja em consultório ou cabeleireiro, para ver qual o remédio novo para emagrecer ou como tratar os movimentos sociais como reles bandidagem. Como quase não fico doente e Eliete, minha cabeleireira, só compra “Carinho”, “Contigo” e “Caras”, me limito a olhar a capa, nas bancas. E então, compro a Caros Amigos ou Carta Capital.

ps 2. peguei no tranco: vou atualizar este Blog diariamente.

5 comentários:

Anônimo disse...

adorei.fiquei feliz tb por vc está livre das dividas. Boa sorte

Anônimo disse...

Cadê o Santinha ontem????? Vitóooooooooooooooriaaaaaaaa

Anônimo disse...

Voce escreve deliciosamente, até para falar do IG.
um abraco,
Claudia

Anônimo disse...

Sama livre das dívidas? Não espalha senão o IG vai mandar mensagens do tipo "Aplique melhor o seu inheiro!" kkk. Estes provedores são um saco mesno. Abração do mano PH

Mariana disse...

Adorei o texto. Vc tem mesmo jeito de ser de Oxalá! Beijo