segunda-feira, 16 de abril de 2007

Distraídos venceremos

Ontem saiu o cheque da escola em que ensino, e segui a passos largos para o Itaú, aqui no Bairro do Recife, que os habitantes locais chamam de Recife Antigo. Como sou enfezado com aquelas portas giratórias, vi a placa "Itaú", entrei rápido, sem pestanejar, com cara de antigo correntista, os dois soldados fizeram de conta que não era comigo.

Lá pelas tantas, depois de 26 minutos na fila, comecei a reparar na turma que esperava a vez. Era um pessoal meio remediado, fiquei pensando que pobre agora tem conta não só em banco, mas no Itaú, que tem um lucro absurdo, aquele Olavo Setúbal de besta não tem é nada.

Olhei mais, reparei mais, e vi uns cartazes:

"Abra sua poupança na Caixa".

Reparei nos detalhes e depois de consultar dois clientes, descobri petrificado que tinha entrado na agência da gloriosa Caixa Econômica Federal. Pior: tinha ficado quase meia hora na fila, sem perceber. Vem pra Caixa você também, vem!

Saí de fininho, para não arranhar minha imagem de distraído crônico. O banco Itaú ficava ao lado. Tinha somente entrado na porta errada. Ah, meus 63 leitores, não fiquem rindo, galhofando, todo mundo já entrou na porta errada, alguma vez na vida. Meus amigos psicólogos, se comportem!

No Itaú, a muito custo (todos os caixas saem para almoçar, justamente na hora do almoço, quando a gente pode ir ao banco), troquei o cheque e fiquei pensando "caramba, como sou distraído".

Se os distintos leitores acham que isso é um absurdo, basta saber que minha mãe outro dia pegou o carro da minha irmã, um Pálio, sei lá, ou era um Siena, e foi ao shopping. Estacionou, fez suas comprinhas, e quando voltou, bateu todo o estacionamento, procurando...o seu velho Fiat.

Depois de duas horas de confusão, envolvendo a segurança do shopping, polícia, uma tormenta dos diabos, FBI, SPC, Serasa, Samu, Corpo de Bombieiros, Polícia Federal, pais de santo os mais diversos, ela ligou para minha irmâ, dizendo, às lágrimas, que não estava encontrando o Fiat, certamente tinha sido roubado.

"Mas mãe, a senhora lembra que foi para o shopping no meu carro, que é um Pálio" (ou era um Siena, sei lá, vamos ficar com um Pálio mesmo, para não complicar o texto de hoje) - foi o que respondeu a filha, que vem a ser minha irmã, a Mônica.

Minha mãe ficou sem graça, olhou para os seguranças, o chefe da segurança, o diretor do shopping, os tradicionais curiosos, o pessoal já citado anteriormente, e comentou com uma certa timidez:

"É que eu vim no carro da minha filha e não lembrava".

Já fiquei na metade do caminho entre Belo Horizonte e São Paulo, enquanto comia um pastel, mas não creio que tenha sido distração. Foi leseira mesmo. Minha coleção é interminável, mas fico com mais um caso, para terminar bem o dia.

Um dia, estacionei o velho Fusca 68, de saudosa memória, caminhei alguns passos, o segurança do shopping veio apressado atrás de mim:

"Senhor, senhor".

E olha que eu não tinha atacado nenhuma livraria.

Ele me entregou as chaves do Fusca, que tinham ficado penduradas na porta do carro.

Nesse momentos, lembro da velha frase do Paulo Leminsky:

"Distraídos venceremos".

Ps. o livro Estuário, deste que vos fala, continua sendo vendido no bar de Seu Vital, no Poço da Panela, é uma boa para o Dia das Mães. A minha inclusive já ganhou um, autografado, e gostou.

8 comentários:

Anônimo disse...

Até parece que tá apaixonado...

Daniela Carvalho disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKK
Aqui em casa tb somos distraídos, principalmente o meu pai. Um dia desses ele foi para a cidade de carro e voltou de ônibus, deixando o seu Celtinha estacionado lá pelas bandas do mercado de são José. Vê se pode!!

Abraço Samarone

Taíza Novaes disse...

Me identifiquei taaanto! Hahahahahahaha!! Bjs!

Anônimo disse...

Besteira uma amiga deixou ocarro funcionando travou as portas e foi embora. Como vês NÃO ESTÁS SÓ.

a NOVA EDIÇÃO DE ZÉ QUANDO SAI?

arquibaldo disse...

Tu é tão distraído que nasceste no Ceará e viesse parar em Pernambuco, Sama.

Ana Luíza disse...

Sama,
suuuuuper divertido!
Me comportei. Assim não deixo mais de ler.

fabiana disse...

ix! carro com janela aberta a noite toda, chaves na porta do apartamento até a volta do mercado, data do ano passado no cheque desse ano, pagar com nota de dez jurando que é de vinte, ai, ai...a cabeça láaaaaaa onde a gente queria mesmo estar...

Marina Lugon-Moulin disse...

Estou lendo este livro!

Etou amando!

Muito bom gosto.