segunda-feira, 2 de abril de 2007

Nossos segredinhos

Às vezes é preciso chegar alguém de fora para ver os segredinhos da gente. Ver não, descobrir.

Acontece que a Ana Luiza conseguiu me convenceu a mostrar os poemas que venho escrevendo nesses últimos vinte anos ao seu grupo de poesias, o "Zodíaco". Aceitei nem sei como, mais na base da amizade, e quando dei por mim, estava em um casarão, na Torre. Mandei pelo email duas coletâneas, uns 100 poemas, ela fez a seleção.

O cachorro bravo estava preso. Ficamos conversando eu, ela e a anfitriã, Juliana, uma moça alta e com aquela beleza clássica. Só depois eu disse que amanhecera com dor de barriga. Por precaução, perguntei logo onde ficava o banheiro.

Dei sorte que os integrantes do "Zodíaco" atrasaram. Foram chegando aos poucos. Cada vez que diziam "esse é o poeta", eu gelava e suava frio. Bebi dois copões d´água e depois veio suco de graviola.

Lá pelas tantas, estavam todos. Tinha padre, professor aposentado da UFPE (falo do Jommard Muniz de Brito), arte-educadora, estudante de Direito, psicóloga etc. Ana estava com uma pastinha - "Seleção de poemas Samarone". Gelei.

Ela distribuiu os poemas, cada um ficou com um. Falou de mim, que sou colega de trabalho na escola Kabum!, depois pediram que eu falasse de mim, e falei. Não muito, é claro.

Então, cada um foi lendo um poema. Cada um lia ao seu jeito, com sua entonação, e fui sentindo aquele frio na espinha, fora o leve suor. Nunca eu tinha feito isso antes, mas aos poucos fui me acalmando. Aqui-acolá, gostava de um poema, isso era bom. Depois de cada leitura, surgia um silêncio. Desse silêncio eu gostava muito, parecia uma pausa para respirar.

Ao final da primeira rodada, perguntaram por que eu nunca quis mostrar nada em
público. Suspeitei que gostaram.

"É que a minha alegria mesmo é escrever", respondi.

Lá pelas tantas, depois da segunda rodada, o Zeferino Rocha fez uma pergunta, de sopetão:

"Você é poeta?"

Melhor:

"Você se sente poeta?"

Ele disse que escreve, faz poesias que considera boas, mas não se sente poeta.

Pensei um pouco e cheguei à conclusão que sim. Se desde os 13, 14 anos, escrevo poesias, é claro que me sinto poeta.

"Sim, eu me sinto um poeta", respondi.

Aquilo me deu um abalo sísmico por dentro. Algo mudou. Descobriram meu segredo. Eu me confessei. Não é à toa que a pergunta veio de um psicanalista.

Ao final do sarau, a Ana Luíza me segredou uma descoberta:

"Você é tímido, discreto e reservado".

Tomei um susto, mais um naquela tarde. Logo eu, que já tive bares, que vivo dando aulas, que conheço um monte de gente, que vivo viajando, que tenho blog, essas coisas todas de quem não é tímido.

Mas no fundo, a Ana Luiza estava certa.

A danada descobriu uns segredinhos.

Quanto à poesia, foi uma confissão pública do que eu já sabia.

Mas o que a gente sabe somente para a gente, não é um segredo?


Para o grupo Zodíaco, pois, especialmente a Ana Luiza.

ps. os poemas estou publicando aos poucos no www.quemerospoemas.blogspot.com

7 comentários:

gustavo disse...

eh...poeta. esse abalo sísmico ainda vai causar um tsunami...

g,

Anônimo disse...

Samarone,

O que vc fez para se saber poeta, tímido, discreto e reservado?

Anônimo disse...

Samarone,

Você muito lindo, menino!
Um beijão pra você


Ps: ninguem precisa ficar com ciúme,(rsrsrsrs.

Conceição Cardozo

Anônimo disse...

Sama,
Esta Ermira vai se orgulhar.Vou entregá-la hoje mesmo..

Netão

Anônimo disse...

Sama,
Esta Ermira vai se orgulhar.Vou entregá-la hoje mesmo..

Netão

Anônimo disse...

Me gusta mucho su forma de escribir, quiero que sepa que siento un gran placer toda vez que suelo leer algo suyo. Un grande abraço desde o Caribe, de um cara que morou no nordeste, faz muito tempo.

Anônimo disse...

adoro quando trazes o diminutivo no nome das coisas, visse poeta? ou seria poetinha?